PJSC Mais Social contribui para inserção no mercado de trabalho de pessoas com síndrome de Down
Associação Amigo Down criou oficinas de velas aromáticas e sublimação
Rafael Crespo, Ilson Tavares, Maria Eduarda Lehmkuhl e Igor Danilo Sales Pereira nasceram com três cópias do cromossomo 21 nas células, ao invés de duas e, por isso, eles têm a alteração genética denominada síndrome de Down. Para colaborar a inserção ao mercado de trabalho das pessoas nesta condição, o programa PJSC Mais Social, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), contemplou a Associação Amigo Down (AAD), sediada em São José, com R$ 30.368,40 para a implantação do projeto “Mãos que Falam – Cromossomo Criativo”.

Com o valor destinado, a Associação Amigo Down adquiriu duas máquinas de sublimação, um notebook, dois fogões elétricos, kits para o derretimento, 300 camisetas e bonés, ceras, essências e outros insumos. São 15 pessoas, de 21 a 38 anos, que estão se preparando para ingressar ao mercado de trabalho. Eles estão apreendendo a estampar camisetas, bonés e canecas, além da produção de velas aromáticas. Por conta disso, foram criadas as seguintes marcas: Estampa 21 e Aroma 21.
As oficinas são desenvolvidas pelo Serviço de Vivência Laborais (SEVIL). “A empregabilidade é parte fundamental da inclusão das pessoas com síndrome de Down na sociedade. Por isso, ter esse projeto é um avanço muito grande para nós e para a sociedade como um todo. A falta de um programa de inserção ao mercado de trabalho era uma parte que nos incomodava muito. Porque dentro de tudo que nós oferecemos aqui, nós estávamos com esse ponto cego. Hoje, conseguimos oferecer essa capacitação com o projeto que o TJSC nos proporcionou”, anotou a Diretora Administrativa da Associação Amigo Down, Vivian dos Santos Beuttemmüller.

Criada em 1991, a Associação Amigo Down é um centro de atendimento especializado que atualmente atende 163 pessoas, desde o nascimento até a melhor idade, de diferentes regiões do Estado. São realizados mais de 400 atendimentos mensais pela equipe multidisciplinar formada por assistente social, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, pedagogos, neuropsicólogo e educador físico. As oficinas pré-profissionalizantes ocorrem duas vezes por semana, sempre no período matutino, e trabalham no desenvolvimento da autonomia, habilidades cognitivas, sociais e laborais.
Voluntária na associação, Angelita Crespo Nunes é mãe do jovem Rafael Crespo, de 21 anos, que participa das atividades da entidade desde 2018 e, hoje, cursa produção multimídia no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). “Essas oficinas profissionalizantes proporcionam a individualização e o conhecimento da rotina do mercado de trabalho. Tanto que eles chegam às 9h e a primeira missão é bater o cartão ponto, como se fosse em uma empresa. Isso vai contribuir para a independência deles, porque não somos eternos”, afirmou a mãe.

A coordenadora pedagógica, Aline Barros, explicou que os 15 alunos das oficinas começaram o projeto conhecendo as cédulas de dinheiro. “Com o projeto Cromossomo Criativo, nós buscamos algo que fosse prático, para que eles conseguissem lidar de forma autônoma e que os habilitassem ao mercado de trabalho. A produção das velas, além da sublimação de canecas de camisetas, são atividades que, futuramente, darão uma autonomia financeira para eles”, completou Aline.
Os recursos disponibilizados pelo Judiciário catarinense são provenientes do pagamento das penas de prestação pecuniária, da suspensão condicional do processo, da transação penal e de acordos de não persecução penal de pessoas que cometeram crimes de menor potencial ofensivo. Em 2025, 181 projetos sociais foram contemplados em todo o Estado totalizando R$ 7 milhões.
Assista ao vídeo PJSC Mais Social – Cromossomo Criativo:
Fonte: tjsc.jus.br