Memória e arte: UEA homenageia legado de Sérgio Vieira Cardoso no Dia Nacional da Cultura
No Dia Nacional da Cultura, celebrado em 5 de novembro, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) homenageou o dramaturgo amazonense Sérgio Vieira Cardoso, que faleceu em outubro de 2026. A cerimônia foi realizada no Teatro dos Artistas e Estudantes Américo Alvarez, espaço cuja concepção contou com a colaboração do artista e que atualmente está sob a gestão da universidade.
O momento reuniu familiares, professores, artistas, estudantes e representantes da comunidade acadêmica para reconhecer a trajetória de um dos nomes que contribuíram para a construção e a formação artística no Amazonas. Sérgio Vieira Cardoso ocupava a cadeira n.º 2 da Academia Amazonense de Letras (AAL).
Com mais de 50 anos dedicados à cultura, Sérgio construiu uma trajetória marcada pela atuação em diferentes áreas. Foi cineasta, dramaturgo, diretor de teatro, artista plástico, gestor cultural e idealizador do Teatro dos Artistas e Estudantes Américo Alvarez. O espaço se tornou um importante ponto de formação de artistas e de encontro com a arte em Manaus.
Atualmente destinado à UEA, o teatro continua sendo utilizado para atividades culturais e de formação profissional, mantendo vivo um projeto que nasceu da visão de Sérgio sobre a importância da arte e da cultura para a sociedade.
A cerimônia teve início com a exibição de um vídeo de Sérgio Cardoso, gravado enquanto ainda estava vivo, no qual o dramaturgo falava sobre a história e a importância do Teatro Américo Alvarez.
Durante sua fala, o coordenador de Extensão da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex/UEA), Prof. Dr. Jonas Alves de Oliveira, destacou o trabalho desenvolvido por Sérgio Cardoso e o legado que ele construiu ao longo dos anos para a área da cultura, especialmente com a criação do Teatro dos Artistas e Estudantes Américo Alvarez, espaço que, atualmente, está sob a gestão da UEA e contribui para a formação de novas gerações de artistas no Amazonas.
“A data é muito propícia para a gente homenagear o dramaturgo Sérgio Cardoso, tanto pelo local como pelo dia. É muito bom quando a gente pode homenagear em vida, mas, quando homenageia já postumamente, a gente está reconhecendo um legado, que vem para a família e para novas gerações. E que possamos também valorizar, olhar para trás, aprender, pisar nesse solo aqui, onde ele trabalhou e tantos outros também. A gente reconhece isso olhando para trás e para onde estamos, mas também com o olho para o futuro e valorizando a nossa cultura aqui do Amazonas.”
Para a Prof.ª Dra. Eneila Almeida dos Santos, da Escola Superior de Artes e Turismo (Esat), coordenadora do evento, foi uma honra prestar a homenagem a Sérgio Cardoso, principalmente em uma data significativa como o Dia Nacional da Cultura.
“O Sérgio é quem idealiza, por exemplo, em 1986, esse teatro, ou seja, ele não vem do teatro, mas já tem toda uma concepção da importância da cultura e da arte na formação de estudantes. O Sérgio conseguiu reunir cultura, arte e educação.”
A professora Eneila lembrou ainda que Sérgio criou um projeto chamado Centros de Artes nas Escolas, que possibilitou criar ambientes para reunir atividades artísticas dentro de escolas da capital.
“A gente tinha uma liberdade enorme enquanto centro cultural. A escola nos aceitava, mas nos dava uma autonomia para desenvolver projetos. E o Sérgio cresce como essa figura que vai atravessando a nossa formação. Se hoje eu dou aula no curso de Teatro é porque eu venho dessa leva, desde a década de 80, fazendo cursos maravilhosos de iniciação teatral que ele contratava profissionais do eixo Rio-São Paulo. O Sérgio representa para gente hoje essa pessoa responsável pela formação da maioria dos artistas amazonenses.”
Família recebe homenagem
A presença da família tornou a cerimônia ainda mais significativa. A UEA entregou uma placa em memória de Sérgio Cardoso à esposa, Anielem Silva Said, e à irmã mais velha do dramaturgo, Lúcia Maria Cardoso.


Em uma noite repleta de emoção, Lúcia Maria Cardoso agradeceu à universidade pela homenagem e relembrou momentos da infância ao lado do irmão, que, desde cedo, já demonstrava talento e habilidades para as artes.
“Ele, quando criança, era criativo, montava teatrinhos com objetos corriqueiros do dia a dia. E ele gostava muito de ler. O Sérgio merece essa homenagem. Ele era muito esforçado, tinha um dom, um talento que jamais poderá ficar esquecido, tem que ficar guardado na nossa memória. E, onde ele estiver, deve estar muito feliz e grato. Ele deixou um legado que deve ficar para sempre, não só para os futuros artistas, mas para todos”, acrescentou.
Apresentações especiais
A programação da noite terminou no palco que carrega parte da história construída por Sérgio. O público acompanhou a leitura dramática de A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz, de autoria do dramaturgo, realizada pelos atores Ana Cláudia Mota, João Fernandes, Michel Guerreiro e Douglas Rodrigues.


Na sequência, o grupo de dança Entrecorpus apresentou a coreografia Sob o Sol, que aborda temas como revelação e autoconhecimento por meio de movimentos que simbolizam a fragilidade humana.
Quem foi Sérgio Vieira Cardoso

Nascido em Manaus, em 1954, Sérgio Vieira Cardoso foi formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e construiu parte de sua carreira no serviço público. Pós-graduado em Administração de Projetos Culturais, encontrou nas artes seu principal campo de atuação.
Como dramaturgo e artista, abordou em suas produções temas relacionados à vida urbana, às desigualdades sociais, à preservação da memória e às transformações da Amazônia. Entre seus trabalhos de destaque estão A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz e Carmen de La Zone, produções reconhecidas no Festival Premiado da Amazônia.
Sua trajetória também inclui a produção de filmes, documentários, fotografias, pinturas, instalações e outros trabalhos artísticos. Em diferentes linguagens, Sérgio registrou aspectos da vida amazônica e ajudou a construir espaços para que outros artistas também pudessem contar suas próprias histórias.
Além da atuação artística, seu nome permanece ligado à formação cultural no Amazonas, especialmente pela criação do Teatro dos Artistas e Estudantes Américo Alvarez e pelos projetos voltados à aproximação entre arte e educação. O artista construiu um legado que permanecerá na memória dos artistas amazonenses.
Fotos: Amanda Gonzalez
Texto: Amanda Gonzalez
Fonte: UEA



