Hackathon do TJSC: servidores criam soluções com IA para vencer desafios do cotidiano da Justiça
Equipes participam de maratona que encerrou evento “Jornadas de IA para uma Justiça mais Humana”
O segundo e último dia do evento “Jornadas de IA para uma Justiça mais Humana”, que promoveu discussões sobre os desafios e as oportunidades da inteligência artificial no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), nesta quarta-feira, 4 de novembro, reuniu servidores e servidoras em uma maratona colaborativa de tecnologia e inovação (hackathon), na Academia Judicial, em Florianópolis. Formados em 12 equipes, os colaboradores apontaram os desafios das suas respectivas áreas, sugeriram soluções com o uso da IA e anotaram os impactos das iniciativas no dia a dia da Justiça catarinense.

Para o diretor-geral administrativo, Alexsandro Postali, a expectativa é de que os servidores e as servidoras apresentem soluções que possam aumentar a eficiência e a eficácia na rotina de trabalho. Assim, algumas das propostas apresentadas podem ser replicadas por todo o Judiciário catarinense.

“A ideia de organizar esse evento com a Microsoft é trazer para perto de todo mundo que compõe o Judiciário catarinense uma visão mais clara do potencial da ferramenta de IA e quão positiva ela é para auxiliar o nosso trabalho. Então são seres humanos, servidores do Poder Judiciário, utilizando ferramentas para trabalhar mais e melhor e, em consequência disso, prestar um serviço muito melhor para toda a sociedade que espera isso da Justiça catarinense”, anotou Postali.

Pela manhã, o especialista em Soluções Microsoft, Fabio Palma, e o engenheiro de Solução Sênior da Microsoft, Felippe Furlan, apresentaram as funcionalidades do Copilot pelo chat e pelos agentes. Após o letramento, os servidores e as servidoras foram divididos em 12 grupos para a definição dos problemas, desenho das soluções e os testes de prompts na ferramenta de IA.

“Os servidores devem identificar um problema, que é uma rotina deles semanal ou mensal, e através da solução da IA que eles irão apresentar para a gente e como essa solução gera impacto no tribunal, que remodela o processo deles. O pessoal aqui, na maioria, já usa Copilot, já está acostumado a interagir um pouco mais, fazer o uso da IA no trabalho. Mas é possível explorar, tem muito potencial ainda aí”, afirmou Fabio Palma.

Após a apresentação dos problemas e soluções de cada grupo, realizada em clima descontraído e com a participação de todos, uma banca examinadora escolheu as três melhores soluções apresentadas. O 3º lugar ficou com a proposta “Análise de admissibilidade de recursos”, da equipe da Diretoria Geral-Judiciária (DGJ). A segunda proposta escolhida foi o “Agente Estratégico do TJSC”, da equipe da Diretoria de Planejamento e Finanças. A proposta escolhida em 1º lugar foi “Decurso Legal”, da equipe da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ).

“No judiciário catarinense, milhares de execuções e cumprimentos de sentença aguardam, suspensos, a localização de bens do devedor. Nesses casos, identificar um a um dos processos em que a prescrição direta ou intercorrente pode ter se consumado é tarefa que consome semanas de trabalho de servidores e gabinetes. É tempo que faz falta à prestação jurisdicional. Com o objetivo de apoiar as unidades de 1ª grau a identificar os processos prescritos, a CGJ desenvolveu um agente de IA no Microsoft 365 Copilot”, afirmou o assessor correicional Maurício Farias Couto ao apresentar o “Decurso Legal”.

As equipes das três propostas selecionadas foram premiadas com patrocínio do TJSC para a participação de um evento de tecnologia em 2027, e cada um de seus integrantes ganhou ainda um kit especial da Microsoft. Além disso, a segunda colocada ganhou um treinamento específico pela Microsoft para maior desenvolvimento da proposta. A equipe vencedora, por sua vez, receberá uma consultoria da Microsoft pra implementação do projeto propriamente dito.

Ao fim do evento, a diretora-executiva da Academia Judicial (AJ), desembargadora Vera Copetti, destacou a alegria e a empolgação de todos os participantes do hackathon. “É sempre gratificante acompanhar um grupo que, no ambiente do trabalho, consegue essa cooperação e harmonia. A Academia tem de fato esse papel de acolher todas as ações que envolvam o desenvolvimento, a capacitação e a educação – não só dos magistrados, mas também dos servidores e servidoras. Foi muito bonito ver o resultado do trabalho de vocês”, concluiu.
Fonte: TJSC