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Des. Saul Steil completa 50 anos de dedicação ao Poder Judiciário de Santa Catarina

Des. Saul Steil completa 50 anos de dedicação ao Poder Judiciário de Santa Catarina

Carreira iniciou em 16 de setembro de 1976, quando assumiu o cargo de oficial de justiça na Capital

O desembargador Saul Steil completa 50 anos de atividades no Poder Judiciário de Santa Catarina nesta quarta-feira, 16 de setembro. Neste mesmo dia, em 1976, ele tomou posse no cargo de oficial de justiça, lotado na comarca da Capital, após alcançar o primeiro lugar em concurso público. A partir daí, estudou ainda mais, se formou em Direito e passou no concurso para a magistratura em 1990.

Sua história de vida tem início no interior do Estado. Natural de Tijucas, o desembargador Saul Steil foi criado em São João Batista, onde estudou, viveu até os 18 anos e teve os primeiros contatos com a atividade jurídica. Aos 14 anos, começou a trabalhar no Cartório de Registro Civil, Títulos e Documentos daquela comarca e, posteriormente, no cartório judicial local. Seu sonho de ingressar na magistratura surgiu ainda na infância.

Aos 18 anos, mudou-se para Florianópolis após ser aprovado em primeiro lugar em concurso público para oficial de justiça, cargo que assumiu em 16 de setembro de 1976. Graduado em Estudos Sociais e em Direito, ingressou na magistratura catarinense em 1990, atuou em diversas comarcas e ascendeu ao TJSC como juiz de direito de segundo grau em 2009.

Promovido a desembargador em 2016, assumiu, em março deste ano, os cargos de vice-presidente e corregedor regional eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) para o biênio 2026-2028, após eleição em dezembro do ano passado. Também é mestre em Ciências Jurídicas, doutorando na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e professor da Escola Superior da Magistratura do Estado de Santa Catarina.

Nesta semana, após retornar de compromisso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, o desembargador Saul concedeu a entrevista abaixo:

– O senhor submeteu-se a concurso público poucos meses após completar 18 anos de idade e foi aprovado em primeiro lugar. O que passou pela sua cabeça naquele dia em que tomou posse e quais eram os sonhos daquele jovem que chegava a Florianópolis, vindo de São João Batista?

Des. Saul Steil: Antes mesmo de me submeter a um concurso público, ainda jovem, buscava independência e um serviço que propiciasse rendimento econômico capaz de dar sustentabilidade financeira para arcar com os custos de uma faculdade. Assim, quando tomei posse, o que passou pela minha cabeça foi justamente a expectativa de ter condições financeiras que me dessem tranquilidade e pudessem me impulsionar na conquista de um sonho.

– O senhor costuma dizer que o desejo de ingressar na magistratura nasceu ainda na infância. Qual é a lembrança mais antiga que guarda desse sonho e o que despertou seu interesse pelo Direito e pela Justiça?

SS: Meu pai teve certa relação de amizade com o magistrado que instalou a comarca de São João Batista e, em casa, nos falava do respeito e da educação que lhe eram dispensados por aquele juiz. Eu me perguntava: “Será que uma criança pode um dia ascender a tão renomada função?” Ainda na adolescência, fui trabalhar no Cartório do Registro Civil, Títulos e Documentos, cuja titular é minha irmã, a qual respondia pelo Cartório Eleitoral da 53ª Zona Eleitoral. Aos 16 anos, fui trabalhar no Cartório do Crime, Cível e Anexos da comarca de São João Batista e, assim, via crescer ainda mais a oportunidade de me preparar para a consecução do sonho idealizado.

– Ao longo dos anos, o senhor conciliou trabalho, estudos e a busca por novos desafios profissionais. Houve momentos em que pensou que não conseguiria alcançar a magistratura? O que o manteve motivado nessa caminhada?

SS: O meu trabalho foi o que me propiciou estudar e, assim, buscar concretizar o sonho de ser magistrado. O momento mais inquietante foi quando colei grau em Direito. Surgiu uma dúvida: vou fazer parte da OAB e advogar, ou permaneço no meu cargo e decididamente busco a magistratura? Para minha felicidade, foi instituída, pelo Tribunal de Justiça, a Escola Superior da Magistratura, que passou a ser o impulso decisivo para a consecução de um sonho, exigindo estudo permanente até o ingresso na carreira da magistratura.

– Como foi receber a notícia da aprovação no concurso para juiz, em 1990? De quem o senhor se lembrou primeiro naquele momento e qual foi o sentimento predominante ao ver concretizado um sonho de tantos anos?

SS: Após uma vida inteira estudando e me dedicando à busca de um sonho, ao receber a notícia da aprovação para o cargo de magistrado, concluí que podemos, sim, concretizá-los. Após esse raciocínio, passou-se um filme em minha memória: quão felizes estariam meus pais se estivessem ali presentes? Imediatamente, agradeci-lhes por terem me dado o dom da vida e me preparado para enfrentar os desafios da existência humana.

– Ao olhar para trás, quais foram as maiores transformações que o senhor testemunhou no Poder Judiciário Catarinense ao longo desses 50 anos de atuação?

SS: O Poder Judiciário catarinense sempre foi comandado por magistrados e servidores que souberam dimensionar a estrutura do poder com o avanço legislativo que ocorreu nas quatro últimas décadas, especialmente após a promulgação da atual carta política. As modificações legislativas acompanharam o desenvolvimento social, exigindo dos operadores do direito e, especialmente, dos magistrados frequente preparo intelectual, uma vez que os direitos e as liberdades assegurados na Constituição importavam em novas e crescentes demandas. Felizmente, o Judiciário catarinense soube apostar na preparação de seus magistrados e servidores, a tal ponto que se constitui, hoje, em um dos mais respeitados tribunais brasileiros.

Nos últimos tempos, passamos das máquinas de datilografia para os computadores e para a internet, abandonamos o processo físico, migrando para o processo eletrônico e, com as novas tecnologias, vimos um avanço antes inimaginável. Exige-se do Estado-juiz uma prestação jurisdicional pronta, rápida e célere. Na atualidade, os magistrados catarinenses são dotados de um ferramental tecnológico que propicia uma pronta resposta aos anseios da sociedade.

Passados esses 50 anos, e após ter vivenciado profundas transformações sociais e legislativas, a construção de modernas instalações físicas e a aquisição de moderno ferramental tecnológico para servidores e magistrados, vejo que o que me motiva a continuar a exercer a magistratura é o amor e a dedicação à causa da Justiça, o que me faz estar presencialmente todos os dias no meu local de trabalho, onde minha porta está sempre aberta e onde sempre fui o primeiro a chegar e o último a sair.

– Depois de tanto tempo dedicado ao Judiciário catarinense, qual sentimento melhor resume sua história?

SS: Primeiro, gratidão a Deus por ter me dado o dom da vida; em seguida, gratidão aos meus pais por terem me gerado e por terem feito de mim a pessoa que me tornei. Há também os sentimentos de responsabilidade e dedicação na busca de um ideal. Em razão disso, posso afirmar a todos os jovens: “Sonhem, sonhem e sonhem alto. Todo sonho é um ideal que pode e deve ser conquistado. Se eu consegui conquistar o meu, você também pode conquistar o seu. Obrigado.”

Fonte: tjsc.jus.br

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