Estudantes da rede estadual exibem curtas sobre valorização da pessoa idosa no Cine Líbero Luxardo
Mostra audiovisual em Belém reuniu produções de sete escolas públicas para debater memória longevidade e respeito entre gerações

Nove curtas-metragens produzidos por estudantes de sete escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional de Ensino (DRE) Belém 5 abordaram o envelhecimento da população e a valorização da pessoa idosa. As produções trataram de temas como memória, identidade, histórias de vida e convivência entre gerações e foram apresentadas nesta sexta-feira (6), no Cine Líbero Luxardo, em Belém, durante uma mostra audiovisual que integrou a programação do XVII Colóquio Organizações, Desenvolvimento e Sustentabilidade (CODS) e do III Congresso Internacional Gegop Longevidade (CIGeL).
A atividade foi desenvolvida por meio do projeto de extensão Retratos do Envelhecer: Olhares sobre vida, memória e futuro, vinculado aos projetos Escola Amiga da Pessoa Idosa e Escola Livre de Formação Cidadã, em parceria com a Universidade da Amazônia (Unama). A iniciativa levou às escolas discussões sobre longevidade e envelhecimento e utilizou a produção audiovisual como ferramenta de aprendizagem e expressão dos estudantes.
Para o dirigente da DRE Belém 5, Jones Barros, a atividade contribuiu para trabalhar o tema nas escolas e valorizar a participação dos estudantes na construção das produções. “Houve um processo de preparação, com oficinas de elaboração de roteiro, filmagem e edição, até chegarmos à apresentação dos trabalhos. Foi um dia festivo para nós, porque vimos o protagonismo dos nossos estudantes em produções que abordam o envelhecimento sob diferentes perspectivas”, ressaltou.
O dirigente acrescentou que os filmes poderão ser utilizados como recursos didáticos nas escolas, permitindo que as discussões iniciadas durante o projeto tenham continuidade em sala de aula. A proposta é que as produções contribuam para atividades educativas sobre respeito, conscientização e garantia dos direitos da pessoa idosa.
O professor Mário Vasconcelos, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade da Amazônia (Unama) e coordenador dos projetos do Grupo de Pesquisa em Gestão Social e Desenvolvimento Local (GESDEU), explica que a iniciativa integra as atividades do grupo, que também desenvolve estudos sobre longevidade e envelhecimento. A aproximação com as escolas surgiu da necessidade de levar essa discussão às novas gerações.
“Temos uma população que está envelhecendo cada vez mais, então precisamos pensar e discutir sobre isso. Optamos por levar esse debate às escolas de ensino básico e médio porque é a partir da educação que podemos transformar a sociedade. A ideia foi permitir que os próprios estudantes, professores e diretores mostrassem como enxergam o processo de envelhecimento por meio do audiovisual”, explicou.
Histórias de vida nas telas
A construção dos curtas envolveu a participação de pessoas idosas, que compartilharam experiências e lembranças para ajudar os estudantes a desenvolver as narrativas. No filme Bombons de Afeto, da Escola Estadual Domingos Acatauassú Nunes, em Belém, participaram Maria das Graças Lima dos Santos, de 75 anos, professora do ensino fundamental na própria escola, e Maria do Socorro Costa dos Santos, de 66 anos, vendedora ambulante.
Para Maria das Graças, participar da produção foi uma oportunidade de registrar parte de sua trajetória e mostrar que o envelhecimento não representa o fim de novos projetos. Ela conta que sempre teve vontade de escrever um livro sobre a própria vida e que o convite para integrar o curta permitiu compartilhar essa experiência.
“Eu sempre quis escrever um livro sobre a minha vida. Quando recebi esse convite para participar do curta-metragem, fiquei pensando que era agora que eu ia mostrar e ajudar muita gente que acha que, depois dos 50 anos, não tem mais nada na vida. Estou aos 75 anos trabalhando, participando desse momento maravilhoso e me sentindo útil. O tempo não acabou para mim, ainda tem muita coisa a realizar”, contou.
Maria do Socorro também compartilhou experiências pessoais durante as gravações. O convite partiu da professora Cristiane, e a participação permitiu que ela falasse sobre diferentes momentos de sua vida.
“Para mim foi simples, porque eu me abri, abri meu coração. Chegou um momento em que pude falar e contar minha história. Achei muito bonito”, relatou.
A troca de experiências também marcou o aprendizado dos estudantes. Cauê Arimateia, de 10 anos, participou do curta Da Aurora ao Ocaso, da Escola Estadual Mateus do Carmo, vencedor do primeiro lugar na mostra. Para ele, a produção possibilitou conhecer melhor as histórias das pessoas idosas e refletir sobre a importância do respeito entre as gerações.
“É muito bom, vale muito a pena. Aprendi a respeitar os idosos e a conhecer a história de cada um deles, de como foi o seu passado”, afirmou. Ao comentar a premiação, o estudante também destacou a dedicação ao trabalho: “Estou muito feliz, muito mesmo. Eu me dediquei muito e isso daqui vale muito para mim”.
Formação e produção audiovisual
A realização dos filmes envolveu estudantes e professores em diferentes etapas de formação. Após a adesão das escolas, os participantes tiveram oficinas de elaboração de roteiros, técnicas de filmagem e edição. Com as orientações recebidas, cada grupo desenvolveu sua própria produção, desde a criação da narrativa até a finalização do curta-metragem.
O trabalho contou com a orientação de profissionais da universidade que acompanharam o aprendizado dos estudantes sobre roteiro, filmagem e montagem. A criação e a execução dos filmes ficaram sob responsabilidade dos alunos e professores das escolas participantes.
Durante a mostra, três produções foram premiadas. Da Aurora ao Ocaso, da Escola Estadual Mateus do Carmo, conquistou o primeiro lugar. O segundo lugar ficou com Retratos do Envelhecer, da Escola Estadual 15 de Outubro. Já Bombons de Afeto, da Escola Estadual Domingos Acatauassú Nunes, recebeu o terceiro lugar.
Também foram apresentados Curta-Metragem Tucunduba e Livro da Vida, ambos da Escola Estadual Mateus do Carmo; Lembranças Eternas, da Escola Estadual Nuremberg Brito; O Que Fica Depois, da Escola Estadual Acássio Sobral; Quando Eu Tinha a Sua Idade, da Escola Estadual Alexandre Zacarias; e Uma Professora, Muitas Histórias e Infinitas Aprendizagens, da Escola Estadual Paulo Maranhão.
Ao final da mostra, os participantes das escolas envolvidas receberam certificados. As nove produções poderão ser utilizadas em atividades pedagógicas, contribuindo para a continuidade das discussões sobre envelhecimento, respeito e convivência entre gerações no cotidiano escolar.
Fonte: Agência Pará