Indaial

Blumenau

Benedito Novo

Rodeio

Ascurra

Timbó

Projeto do MPSC transforma convivência escolar e fortalece cultura de paz em Santa Catarina

Projeto do MPSC transforma convivência escolar e fortalece cultura de paz em Santa Catarina
Foto: MPSC

“O respeito, a educação, ouvir o professor, esperar sua vez.” Foi assim que o estudante Brian Otniel de Assis Riese da Silva, de 12 anos, da Escola Básica Municipal Anita Bernardes Ganancini, em Camboriú, resumiu as mudanças que percebeu em sua sala de aula após participar do projeto Escola Restaurativa.

Antes disso, a realidade era diferente. “Os colegas falavam muito, não respeitavam o professor e pegavam o material dos outros”, relembra. A percepção é compartilhada por outros estudantes. Samuel Pereira Dias Prestes, de 11 anos, recorda que a turma era marcada por “bagunça” e “brigas”. Já Iohana Mikaela Ribeiro da Silva, de 12 anos, conta que situações de bullying e ofensas verbais eram frequentes.

Os relatos refletem um desafio presente em escolas de todo o país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quatro em cada dez adolescentes brasileiros entre 13 e 17 anos já sofreram bullying no ambiente escolar.

Para ajudar a enfrentar essa realidade, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) desenvolve o projeto Escola Restaurativa, que utiliza práticas da Justiça Restaurativa, e aposta na escuta, no diálogo e na construção de relações mais respeitosas entre estudantes, professores e toda a comunidade escolar. A iniciativa aborda temas como bullying, convivência, fortalecimento de vínculos, respeito às diferenças e resolução de conflitos.

Segundo o Coordenador do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (NUPIA), Promotor de Justiça Marco Aurélio Morosini, o projeto vem ampliando seu alcance em diversas regiões do estado. “Em quatro anos, a iniciativa já sensibilizou aproximadamente 8 mil crianças e adolescentes de Santa Catarina e capacitou mais de 400 profissionais das redes estadual e municipal de ensino para atuarem como facilitadores”, destaca.

O poder da escuta

A transformação começa em um espaço simples: uma roda de conversa. Nas escolas participantes, estudantes e facilitadores se reúnem em círculos de construção de paz, metodologia que incentiva reflexões sobre empatia, pertencimento, respeito, diálogo e convivência.

Na Escola Municipal Marlene Pereira Zuchi, em Camboriú, um dos símbolos mais presentes nos encontros é a girafa, utilizada como “objeto da palavra”. A escolha não é por acaso. A girafa é um dos principais símbolos da Comunicação Não Violenta e representa a escuta atenta, a empatia e a capacidade de enxergar diferentes perspectivas.

Durante as atividades, as cadeiras são organizadas em círculo, criando um ambiente seguro para que todos possam se expressar. O objeto da palavra passa de mão em mão e apenas quem o segura fala, enquanto os demais escutam. “Achei muito divertido porque a gente pode falar as coisas que estavam guardadas no nosso coração”, conta Bernardo de Lima de Oliveira, estudante do 3º ano do ensino fundamental.

A facilitadora Louisiana Catherine Pimenta explica que cada elemento presente no círculo tem uma função pedagógica. “Temos livros, que representam a aprendizagem; placas com valores que buscamos despertar; a girafa, que trabalha a escuta; e materiais para que eles expressem aquilo que estão aprendendo e construindo durante os encontros.”

Além da sensibilização dos estudantes, o projeto também investe na formação de profissionais da educação. Conforme explica Luciana Andrea Mattos, do Setor de Apoio ao NUPIA (SENUPIA), “até 25 representantes de cada comarca podem participar de uma capacitação on-line de 24 horas, tornando-se aptos a aplicar a metodologia em suas comunidades escolares”, comenta.

Fonte: MPSC

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *